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Quariterê: coletivo de cinema negro exibe produções na sessão Realizadores de MT

Foto de Lidiane Barros
Lidiane Barros

Coletivo idealizado para abrir espaço e impulsionar o protagonismo de realizadores negros do cinema em Mato Grosso, o Coletivo Quariterê ganha destaque em nova edição do ciclo Realizadores de Mato Grosso, do projeto Encontros com o Cinema. Nesta terça-feira (16), serão exibidas cinco produções atuais e ainda, haverá estreia do curta-metragem Minha Madrugada, de Rodolfo Luiz. A exibição da coletânea de filmes começa às 19h30. A entrada é R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia).

A sessão começa com Sob os Pés (2015), de Juliana Segóvia e Neriely Dantas. Na sequência, a plateia assiste a Abecedário: Encontros e Desencontros nas Letras Mato-Grossenses (2017), de Jonathan César. Logo, é a vez de Pandorga, de Maurício Pinto, lançado em 2017.

Como ser Racista em 10 Passos (2018), com direção de Isabela Ferreira finaliza a série de filmes já lançados, que despontam no circuito de cinema independente. Por fim, é a vez de Rodolfo Luiz lançar Minha Madrugada. Ao final da sessão, os realizadores do Coletivo Quariterê participam de debate com a plateia.

Como ser Racista

A carioca Isabela Ferreira, que chegou à Cuiabá para cursar a faculdade de Rádio e TV, na UFMT, estreou na direção no ano passado. Antes, atuava como produtora. “Agora, meu foco é no roteiro e direção”. Participar dessa sessão é um sinal de que ela está no caminho certo. Recém-formada [o filme foi seu TCC], figura entre as promessas do audiovisual mato-grossense. A primeira produção de Isabela foi premiada no Maual e na Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso.

Em um momento bastante fértil, ela produz o documentário Vozes Negras – com incentivo da aprovação em concurso da Fundação Getúlio Vargas – e ainda, inicia a produção de Maria Taquara, projeto aprovado no edital da Prefeitura de Cuiabá. “Estou realizando pesquisas sobre ela, e o documentário vai ser contado no tempo presente, com testemunho de pessoas que a conheceram ou de artistas que se inspiraram pela figura dela, entre outros. Meu objetivo é ir além do estereótipo de prostituta”.

Isabela Ferreira já tem mais duas produções engatilhadas (Foto de Rodolfo Luiz)

Em Como ser Racista em 10 Passos, ela se inspira pelo formato de lista, para apresentar dez situações de racismo normalizadas em nosso cotidiano. “Algumas delas, vivenciadas por mim mesma. Outras, idealizadas a partir de episódios vivenciados por integrantes da equipe”. Ao seu lado estão Gabriel Oliveira (direção de arte e som), Neto Costa (produção executiva), Ana Maria Moura (produção) e Rodolfo Luiz (fotografia).

O filme tem despertado reações diversas, de apoio ou de repulsa. “Temos realizado exibições em escolas da cidade e em uma das cenas, que um casal homossexual – um homem negro e um branco – tem um encontro a partir do Tinder, já fez espectador sair da sala. Tem gente que reclama de doutrinação. Mas desde o primeiro momento, o objetivo foi provocar, mas não sabia que chegaria a tanto”, sorri.

Impressões sobre a madrugada

Parceiro de Isabela, outro membro do Quariterê e recém-formado em Rádio e TV pela UFMT, é outro talento que desponta. Ele exibe pela primeira vez suas impressões sobre a madrugada nas periferias cuiabanas, depois de ter lançado o registro fotográfico da pesquisa que rendeu o TCC. “O filme é mais um desdobramento. Neste, mostra uma outra perspectiva, desta vez, a partir da meu relato e de outros dois amigos. Vamos comentando o que vamos encontrando pelo caminho”.

Projeto de fotografia em que Rodolfo Luiz registra madrugada nas periferias, ganha filme

Segundo Rodolfo, Minha Madrugada é um filme mais experimental. “É um documentário, mas não com a mesma linearidade a que estamos acostumados. É poético, contemplativo”. Ele explica que o filme vai além da representatividade formal das imagens captadas. “No plano inicial, a exemplo, estou filmando uma parede. Mas com surpresa, acabo captando o som de uma discussão. E de repente, aparece uma pessoa. É um filme feito de surpresas e imprevistos”.

Coletivo Quariterê

O Coletivo de Audiovisual Negro é formado por produtores de audiovisual do estado de Mato Grosso e tem como foco reunir profissionais da área e demais pessoas interessadas em discutir temáticas relacionadas às questões raciais e suas intersecções com outros aspectos que podem agravar preconceitos, tais como gênero, idade e classe social. Nesse sentido, como fruto do aprofundamento dessas discussões, pretende-se desenvolver ações ideológicas e concretas voltadas a promover a equidade de gênero e raça por meio de materiais audiovisuais. Para tanto,o coletivo participará de editais, buscando também sua inserção nos espaços oficiais de circulação a fim de garantir que atuem profissionais negros em todas as etapas da produção.

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