14 de abril de 2026 05:38
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Filme Chiclete Imaginário revela fronteira tênue entre a literatura, teatro e cinema

Foto de Lidiane Barros
Lidiane Barros

Perguntar “o que é que você anda fazendo” para o inquieto produtor, animador cultural e cineasta [dentre outras habilidades artísticas], Luiz Marchetti, é como dar F5 em uma página atualizada freneticamente e ter novas surpresas em curtos períodos de tempo.

Ele está sempre idealizando, projetando, concretizando, revelando novos talentos e descortinando cenários. O cuiabano conhece a cidade como a palma de sua mão e tem sempre um lugar especial para indicar.


Mas nesta ocasião, o assunto é sua produção audiovisual, marcada também pela versatilidade. Dos mais recentes, a comédia Bala Perdida (2017) foi dirigido por ele a convite de Justino Astrevo. Marchetti também acaba de finalizar A Ciranda e o Tempo (2018) – um emocionante documentário sobre o Instituto Ciranda – Música e Cidadania, sem data de estreia.

Na próxima terça-feira (17), ele é o convidado do projeto Encontros com o Cinema, realizado às terças-feiras no Cine Teatro Cuiabá. Lá, ele exibe pela primeira vez à plateia cuiabana, o média-metragem de ficção, Chiclete Imaginário, às 19h30. A sessão tem preço simbólico de R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia). Estudantes da rede básica de escola pública não pagam.

Metalinguagem

O filme, segundo ele, é uma adaptação literária. “Chiclete veio de uma sugestão do escritor Eduardo Mahon para que registrássemos atores lendo suas crônicas, tal qual um ensaio. Mas eu decidi ir mais adiante, gostaria de fazer mais uma cena sobre a transição entre a retórica e a literatura, exatamente essa passagem”, conta Marchetti.

“Você percebe os atores lendo, gaguejando, aí de repente já estão decorando, olhando para a câmera e subitamente uma cena é criada e aí, ela sai do papel”, descreve. No material de divulgação, ele atribui ao filme, o caráter de imersão audiovisual sob sua direção. Um filme onde literatura, teatro e cinema se entrelaçam e os atores convidados, por consequência, se lançam ao desconhecido.

Em cena, Carolina Argenta e Fabrício Chabô

“Fabrício Chabô e Carolina Argenta interpretam cada crônica, mas não se trata de dramatização ou ficcionalização, prevalece no vídeo a supremacia da leitura, atrelada a cenas poéticas que complementam a experiência do filme. Cada trecho carrega consigo sua poética, fazendo com que cada crônica tenha uma atmosfera própria, independente da montagem, podendo ser exibidas em sequência ou separadas, ou seja, em múltiplos formatos de projeções”.

Fronteiras tênues, não é mesmo? Questionado sobre o desenrolar das filmagens, ele revela também as peripécias de se produzir um filme independente, não fosse por certo apoio. “Ali teve um pouco de confusão entre o que era ensaio e gravação por causa do processo de imersão. O filme foi construído das 7h à 1h e só tínhamos dinheiro para alugar os equipamentos em um dia. Eu disse a eles: ‘vai ser hoje’. Daí fizemos cenas na minha casa, em um motel, rua e no Cine Teatro e eles se entregaram de corpo e alma”.

“Foi um filme ‘zero orçamento’. Só tivemos cachê para aluguel de equipamentos. Mas é assim mesmo, temos que produzir. Não podemos ficar esperando a Secretaria [Sec-MT] com a avalanche de verificações e excesso de burocracia. Por vezes bons projetos se perdem antes mesmo de serem lidos. Há uma rede de verificações construindo barreiras gigantes”, desabafa.

Literatura

Na edição do Encontros com o Cinema desta terça-feira (17), a literatura ganhou espaço especial. Não por menos, afinal, assim como neste caso, muitas obras cinematográficas têm sido inspiradas por livros. O autor das crônicas que basearam Chiclete Imaginário – e de vários livros produzidos e lançados de forma independente -, o escritor Eduardo Mahon, aproveita o espaço para promover o lançamento das obras mais recentes: O Homem Binário e Alegria. Quem aparecer por lá, presencia dois acontecimentos em uma mesma noite.

Trajetória

Aos 17 anos, Marchetti foi para o rio de Janeiro, estudar nas primeiras turmas da Casa de Artes das Laranjeiras. “Um local profissionalizante para quem queria estudar artes cênicas, seja de TV, teatro ou cinema. O meu ainda não estava muito claro, já escrevia, já atuava e já fazia direção, mas claramente era a este universo que queria me dedicar. Isso foi inicialmente, porque divergindo do único destino, que era entrar na televisão, eu queria filme-arte, eu era fã de carteirinha do Estação Botafogo, onde eu via muitos filmes, documentários”.

Depois, seguiu para Barcelona onde se especializou na Sala Beckett. “Daí pensei, se quero ir mais à fundo, preciso ir para Londres. E para lá fui eu aos 23 anos. Lá, tive muita sorte. Conheci a Cooperativa de cinema. Foi então que tive acesso a oficinas com diferentes segmentos entre os quais, direção, corte, montagem, experiência no set e logo, comecei a fazer um curso, o Foundation. E assim, mergulhei em vários ângulos da produção audiovisual. Eu queria mesmo era mexer com a estética da arte, e daí podia ser qualquer segmento dessa linha, como vídeo-arte, vídeo-instalação, vídeo-performance”, conta.

“Produzi, produzo e vou produzir muito. Você me pergunta assim e nem sei pontuar quanta coisa já fiz, tem até aqueles que agora, me falham a memória”, descontrai.

 

FICHA TÉCNICA DE CHICLETE IMAGINÁRIO

Elenco: Carolina Argenta e Fabrício Chabô

Direção e Roteiro: Luiz Marchetti

Argumento: Eduardo Mahon

Assistente de Direção: Caio Augusto Ribeiro

Diretor de Fotografia: João Carlos Bertoli

Cenografia: Douglas Peron

Som direto: Isabelle Almeida

Montagem: Luiz Marchetti, Isabela Padilha e Isabelle Almeida

Edição e Cor: Isabela Padilha

Trilha: Marcos Garbin e Ian Carvalho

Make up: Anny Karoliny

Figurino: Einstein Halking

Assistente de fotografia: Leonardo Sant’ana

Elenco de apoio: Wanda Marchetti, Fernando Gabriel Colombiano, Caio Augusto Ribeiro, Luiz Marchetti, Douglas Peron

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