11 de agosto de 2017 - 18:34

Pedro Taques não descarta retomar projeto do BRT

Opção já havia sido levantada pelo secretário Wilson Santos, depois da operação Descarrilho

Laíse Lucatelli

, da Redação

laise.lucatelli@olivre.com.br

Pedro Singer/O Livre

VLT trilhos Varzea Grande

O governador Pedro Taques (PSDB) não descartou a possibilidade de construir um modelo de corredor de ônibus de Bus Rapid Transit (BRT), em Cuiabá diante da operação que investiga fraudes no contrato do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Na quarta-feira (9), a Polícia Federal deflagrou a operação Descarrilho com base na confissão do ex-governador Silval Barbosa de que houve a negociação de propina com o Consórcio VLT e com a fabricante dos vagões.

“Estamos trabalhando com todas as possibilidades”, disse Taques, ao ser questionado sobre a eventual retomada do BRT. Quando era senador, ele defendeu a opção pelo BRT e criticou duramente a mudança para VLT.

Na época, a obra física do BRT estava orçada em cerca de R$ 500 milhões, e a estimativa era de que o VLT custaria o dobro. O modelo sobre trilhos acabou licitado por R$ 1,477 bilhão.

O secretário de cidades de Mato Grosso, Wilson Santos (PSDB), já havia falado na possibilidade de retomar o projeto do BRT, abandonado em 2011, quando Silval conseguiu mudar o modelo de transporte previsto para Cuiabá e Várzea Grande para a Copa do Mundo de 2014.

Plebiscito?

Taques rejeitou  realizar uma consulta popular para definir o destino da obra, paralisada desde o final de 2014. “Não estamos pensando nisso ainda, porque temos que buscar o que a Justiça vai decidir”, declarou.

Pedro Taques observou ainda a dificuldade de realizar uma nova licitação para escolher  outro consórcio para tocar a obra do VLT, agora na mira da Polícia Federal. “Só para fazer outra licitação internacional demoraria 3 anos”, comentou.

Ednilson Aguiar/O Livre

VLT Veículo Leve sobre Trilhos


Ele não respondeu, porém, se pretende retomar as negociações com o consórcio, suspensas depois da operação. “Primeiro temos que saber o que está acontecendo nas investigações. Eu não tive acesso. Rogério Gallo (procurador-geral do Estado), Ciro Gonçalves (controlador-geral do Estado) e o Wilson Santos estão lendo”, disse.

Antes da operação, Taques e Wilson Santos tentaram firmar um acordo com o consócio VLT Cuiabá no valor de R$ 1,988 bilhão -- cerca de meio bilhão a mais que o valor contratado em 2012. O acordo não obteve aval dos Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE).

Na quarta-feira, quando a operação foi deflagrada, o governador defendeu a ação policial. “Espero que descubram quem roubou o povo de Mato Grosso”, declarou, em entrevista coletiva. “Imagina se eu tivesse dado início às obras do VLT sem trabalhar com o Ministério Público Federal e Estadual”, disse.

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