11 de agosto de 2017 - 06:00

Riva está colaborando com o MPF em investigação sobre o VLT e pode fazer delação

Silval e Nadaf já confessaram que foi cobrada propina de R$ 18 milhões da CAF Brasil, fabricante dos vagões

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

José Riva_240217

O ex-deputado José Geraldo Riva (sem partido) está colaborando com a Justiça na investigação da Operação Descarrilho e pode fechar acordo de delação premiada por meio do Ministério Público Federal (MPF).

"José Riva está colaborando com as investigações. As informações prestadas por ele ao MPF estão sob segredo de Justiça", afirmou o advogado Rodrigo Mudrovitsch ao LIVRE, quando questionado sobre as acusações contra o ex-deputado.

A operação, deflagrada na quarta-feira (9), consistiu em buscas e apreensões em empresas que prestaram serviços nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e nas casas de sócios dessas empresas.

A investigação se baseou em informações fornecidas pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e pelo ex-secretário Pedro Nadaf. Eles admitiram que acertaram o pagamento de propina com o Consórcio VLT e com a CAF Brasil, fabricante dos vagões.

Rui Farinha/Metrô do Porto

Teste VLT Porto

Riva, Silval, Sérgio Ricardo, Éder Morais e Guilherme Maluf visitando o VLT de Portugal

Acusações

De acordo com o MPF, o ex-deputado teria intercedido junto a Silval Barbosa (PMDB) e ao Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande para que uma empresa de sua esposa, Janete Riva, fosse sub contratada na obra do modal.

Janete é apontada como “testa de ferro” do ex-deputado na Multimetal Engenharia de Estruturas, que recebeu R$ 11,5 milhões para prestar serviços ao Consórcio VLT.

“Não por coincidência, José Geraldo Riva foi intitulado como ‘pai do VLT’ ainda no ano de 2013 (...) Após a apreensão do contrato de gaveta, em 20/05/2014, firmado entre os sócios da Multimetal e José Geraldo Riva, por meio de Janete Riva, vislumbra-se, de modo claro, a razão de tanto empenho na defesa do modal VLT", diz um trecho do inquérito da Polícia Federal.

O contrato, apreendido em 2014 durante a deflagração da Operação Ararath, mostrava que Janete pagou R$ 3,5 milhões para adquirir 40% da empresa. Assim, o ex-deputado seria um “sócio oculto” da Multimetal, na opinião dos investigadores.

A PF ainda destaca movimentações atípicas, identificadas em relatórios de inteligência financeira, nas contas de Altair Baggio e Guilherme Lomba de Mello Assumpção, outros dois sócios da empresa.

Também é citada uma doação eleitoral de R$ 120 mil que a Multimetal fez à campanha de Riva em 2010, no mesmo ano em que Janete adquiriu participação na empresa.

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