19 de abril de 2017 - 06:07

Delator diz que Chico Lima enganou grupo para embolsar mais propina

Procurador aposentado teria ficado com quase R$ 160 mil do que seria repassado ao empresário Filinto Muller pela lavagem do dinheiro

Mikhail Favalessa

, da Redação

mikhail.favalessa@olivre.com.br

O procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, enganou os demais acusados de desvios na Operação Sodoma 3, de acordo com o empresário Filinto Muller, um dos delatores do esquema de compra de terras do Jardim Liberdade.

O procurador repassou ao empresário 3% dos R$ 15,8 milhões em propina como recompensa pela lavagem do dinheiro, mas teria informado aos demais membros do grupo que o percentual de Muller era de 4%. Assim, Lima teria ficado com a diferença de 1%, algo em torno de R$ 160 mil, além dos demais valores divididos entre o grupo.

O empresário contou em depoimento na terça-feira (18) que inicialmente negociou 4% com Chico Lima, que o procurador depois alegou que os valores eram muito altos. Assim, teriam fechado um acordo em 3% sobre os R$ 15,8 milhões, que o empresário confirma ter recebido em oito parcelas entre abril e novembro de 2014, totalizando R$ 474 mil. Muller só notou a diferença nas porcentagens no decorrer das investigações do Ministério Público Estadual.

Em seu depoimento, ele disse que Chico Lima era “desesperado” por receber o dinheiro da propina.

Propina para Silval e secretários
A Sodoma 3 investiga uma aquisição fraudulenta de terras. O Estado de Mato Grosso realizou a desapropriação da área de 55 hectares conhecida como Jardim Liberdade, em Cuiabá, por cerca de R$ 31,7 milhões da empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda. Metade deste valor retornou ao grupo liderado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) por meio da SF Assessoria e Organização de Eventos, criada em junho de 2013 por Filinto Muller sob orientação de Chico Lima. Foi utilizado um laranja na criação da empresa, o pedreiro Sebastião Faria.

Dos R$ 15,8 milhões repassados ao grupo, R$ 10 milhões teriam sido direcionados ao ex-governador e, o restante, dividido entre os demais participantes do esquema: os ex-secretários, Pedro Nadaf, Marcel De Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto e Afonso Dalberto, além do procurador aposentado Chico Lima. Segundo relatou Filinto Muller, Nadaf afirmou a ele que os R$ 10 milhões seriam destinados a pagar uma dívida de Silval Barbosa com o dono de factoring Valdir Piran.

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