22 de agosto de 2017 - 06:00

Prefeitura de Cuiabá transfere moradores da Ilha da Banana para sobrado cedido por vereador

Mudança foi realizada após moradores da Rua 12 de Outubro fazerem um abaixo-assinado contra os sem teto. Alegações eram de roubos, invasões e “bagunça” na vizinhança

Laura Nabuco

, da Redação

laura.nabuco@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

moradores da ilha da banana

A nova casa dos antigos moradores da Ilha da Banana: agora, no bairro Pico do Amor

A única suíte do sobrado de esquina com seis quartos e três banheiros vai ser a nova moradia de Rosângela da Silva, 41 anos. É o melhor quarto da casa, segundo ela, mas tem um problema: não possui guarda-roupas como os demais.

Rosângela é uma das 17 pessoas em situação de rua que viviam na Ilha da Banana e foram transferidas para uma casa no centro histórico de Cuiabá após a demolição dos imóveis. Na segunda-feira (21/08), foi iniciado um novo remanejamento, desta vez para o casarão no bairro Pico do Amor, nas proximidades da Avenida Fernando Corrêa da Costa.

O sobrado de cozinha ampla e sacadas pertence à família do vereador Luiz Cláudio (PP) e foi, segundo ele, cedido sem custos para a Prefeitura de Cuiabá pelo período de um ano. O motivo da nova mudança foi um abaixo-assinado dos moradores da Rua 12 de Outubro, que reclamaram de furtos, invasões, uso de drogas e "bagunça". 

Ednilson Aguiar/O Livre

moradores da ilha da banana

Rosangela e a casa alugada para moradores da Ilha da Banana, na rua 12 de Outubro

Rosângela dá razão às queixas. Conta que a casa anterior, alugada pelo governo do Estado no centro de Cuiabá, foi equipada pela prefeitura com geladeira, fogão, bebedouro, camas e colchões. Os moradores também recebiam cestas básicas, mas quase tudo foi depredado, roubado ou trocado por drogas.

“Até a minha cachorrinha eles roubaram”, reclama, contando que um dos moradores também ateou fogo em um dos cômodos do imóvel. “Agora eu só quero ir para um lugar onde eu tenha paz”, diz Rosângela, pontuando acreditar que isso só será possível se alguns dos moradores do centro – que ela prefere não identificar – não forem remanejados para o novo abrigo.

Funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano que, na tarde de segunda-feira recolhiam os objetos deixados na casa do centro, afirmam que todos os 17 moradores podem ser transferidos. Basta quererem, mas alguns preferem não ir.

Ednilson Aguiar/O Livre

moradores da ilha da banana


Enquanto isso, no Pico do Amor, o presidente do bairro, Dito Caldas, toma providências. Afirma já ter entrado em contato com a base da Polícia Militar na região. Quer um cadastro de todos os sem-teto que forem transferidos para lá.

De seu quintal, com grades altas e portão sempre trancado com cadeado, é possível ver o sobrado onde ele diz esperar que os novos vizinhos encontrem uma vida melhor. “A gente tem que dar uma oportunidade né?! Esse negócio de droga é complicado. Não escolhe cor, sexo, classe social”, lamenta.

“Agora eu só quero ir para
um lugar onde eu tenha paz”

Mas o presidente não esconde a preocupação. Cita a presença de uma escola e de um posto de saúde nas proximidades e o fato de todas as casas da rua já terem sido assaltadas. Da residência dele, levaram apenas cadeiras, esquecidas na área externa uma noite.

A mudança dos antigos moradores da Ilha da Banana só deve ser concluída nesta terça-feira (22). Nem Rosangela, nem os funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social sabiam dizer ao certo quantas pessoas vão morar no sobrado.

À reportagem do LIVRE, o secretário Wilton Coelho informou, por meio da assessoria, que só poderia dar mais detalhes nesta terça. Já o vereador Luiz Cláudio disse ter sido informado que um funcionário da Prefeitura – uma espécie de inspetor – deverá ficar dia e noite no local. O objetivo é evitar que situações como as ocorridas no centro da cidade se repitam.

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