05 de dezembro de 2017 - 07:35

Obra de acessibilidade conduz deficientes visuais até muros e buracos

Segundo assessoria da Secid, obras estão suspensas para readequação do projeto

Maria Clara Cabral

, da Redação

O Livre

Muro Obra Acessibilidade


Em fevereiro deste ano, o Governo de Mato Grosso deu início a uma grande obra de readequação e acessibilidade do passeio público do Centro Político Administrativo. Mas ela está paralisada e muitos trechos que ficaram inacabados configuram-se como autênticos obstáculos a portadores de necessidades especiais.

Em um deles, o deficiente visual é conduzido a um muro lateral dos fundos da Loja Maçônica da avenida do CPA, de onde saem também galhos pontiagudos de uma árvore que podem ferir o rosto. Sem contar que na possibilidade de um impacto do transeunte com o muro, ele pode vir a cair em uma vala.

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O
LIVRE levou dois deficientes visuais para avaliarem alguns trechos do passeio público e vários pontos foram considerados críticos, como a entrada dos fundos de funcionários da Assembleia, próxima ao Palácio Paiaguás. Vários bueiros, buracos e árvores intercalam pequenos trechos de piso tátil.

“Não sei se vão resolver, mas agora é bem perigoso, pois em alguns pontos não tem sinalização alguma. A ideia da obra é boa, só que eu oriento que antes de terminá-la eles chamem quem vai usar para ver se está tudo certo”, disse um deles.

“Nesse trecho aqui o piso tátil está errado; ele leva a gente para o muro e a árvore pode machucar a gente. Tinha que puxar uma curva para a esquerda, mas aí não sabemos se a obra continua aí, não é? Mas tinha que sinalizar antes, porque mesmo antes de chegar na parede já tem buraco. Precisa ter um piso diferente, com bolinhas, para nos alertar sobre o obstáculo”, disseram, sobre o trecho na Avenida Des. Milton Figueiredo Ferreira Mendes.

Com uma câmera na cabeça, um dos deficientes visuais filmou a experiência e revelou a perspectiva de quem por ventura quiser se aventurar por ali:

Obra paralisada

De acordo com a assessoria da Secretaria de Cidades, a obra orçada em R$ 3,14 milhões foi suspensa para readequação do projeto. O prazo de execução, previsto inicialmente de 180 dias, foi aditado para mais 90 e, por fim, o prazo final ficou em 270 dias. Que, por sinal, já expirou.

“Até o momento foram executados 49% do contrato e os trabalhos estão temporariamente paralisados devido à necessidade de readequação do projeto, visando a atender a solicitações dos “condôminos” (órgãos, secretarias e entidades) surgidas no decorrer dos serviços.

A principal delas é a inclusão do órgão ou entidade no projeto de acessibilidade. “Como os órgãos públicos e entidades têm autonomia, muitos deles preferiram não ser contemplados no projeto de acessibilidade. No entanto, no avançar das obras sentiram a necessidade dessa inclusão”.

Ainda de acordo com a assessoria, a equipe técnica da Secretaria de Estado das Cidades teria definido pela paralisação temporária das obras para agilizar a regularização de intervenções contidas no projeto, como por exemplo: retirada de postes, retirada de árvores, remanejamento de gradios e recuo de muros, entre outros. A paralisação fez-se necessária porque todas essas ações dependem de autorização e serviços de órgãos competentes.

Por fim, a assessoria disse que todas as intercorrências estão mapeadas e serão devidamente solucionadas. “A equipe técnica de projetos e fiscalização da Secretaria de Estado das Cidades trabalha para retomar a obra nas próximas semanas. E todo o processo está sendo acompanhado por esses profissionais da pasta, concomitantemente ao avanço dos serviços”.

Serão construídos 16 mil metros quadrados de calçadas, que são referentes a 10 quilômetros de vias em toda a extensão do complexo.