19 de abril de 2017 - 07:18

Livro relata drama indígena durante a ditadura

"Os Fuzis e as Flechas", do jornalista Rubens Valente, lança luz sobre episódios obscuros do regime militar

Rodrigo Vargas

, da Redação

rodrigo.vargas@olivre.com.br

Agência Estado

Panaras

 

Massacres esquecidos ou nunca registrados. Relatórios secretos e testemunhas silenciadas. Tragédias sepultadas por rodovias, hidrelétricas e grandes projetos de colonização.

Na lista de histórias mal contadas sobre a ditadura militar no Brasil, poucas são tão obscuras quanto o destino reservado aos povos indígenas ao longo daqueles 30 anos.

Recém-lançado pela editora Companhia das Letras, o livro "Os Fuzis e as Flechas: História de Sangue e Resistência Indígena na Ditadura" é o resultado de uma cuidadosa investigação em busca de respostas.

O desafio, que integra a coleção "Arquivos da Repressão no Brasil", coube ao jornalista Rubens Valente, um dos mais importantes repórteres do Brasil, vencedor de dois prêmios Esso.

Em Cuiabá para participar de um evento alusivo à Semana do Índio no Museu Rondon, na Universidade Federal de Mato Grosso, Rubens falou ao LIVRE sobre as dramáticas conclusões a chegou, após analisar milhares de documentos (muitos deles, inéditos) e percorrer o país para ouvir testemunhas.

"O meu livro narra esse choque entre uma cultura mais avançada, rica, poderosa e mais armada, contra uma cultura que ainda tentava entender o que estava acontecendo", afirma ele.

Este choque, em meio ao avanço de obras como a abertura da BR-163 (Cuiabá-Santarém), nem sempre se dava sob a forma de conflitos armados. A falta de estrutura das frentes de expansão e contato, segundo Valente, foi responsável por levar doenças que dizimaram aldeias e, por vezes, etnias inteiras.

"O que ficou bem claro foram os métodos que a ditadura empregou. Havia uma ideia geral por trás de tudo. Era um plano em que o índios eram um mero problema", relata.

Confira a entrevista: