05 de dezembro de 2017 - 07:21

Consumidores reclamam porque não sabem economizar, afirma diretor da Águas Cuiabá

Em três meses, a concessionária Águas Cuiabá já registrou 909 reclamações por "fatura abusiva"

Lázaro Borges

, da Redação

lazaro.borges@olivre.com.br

Ednilson Aguiar/O Livre

Marcelo Padeiro

Marcelo Oliveira, diretor da Águas Cuiabá, diz que até 2019 a empresa vai tratar 58% do esgoto de Cuiabá

O presidente da Águas Cuiabá, Marcelo Oliveira, afirmou nesta segunda-feira (04) que a maioria das reclamações dos consumidores sobre cobrança abusiva é resultado de um uso desregrado da água. Segundo ele, a empresa atende hoje 55% da cidade com água 24 horas por dia - e que por conta disso é preciso fechar a torneira e economizar.

Na avaliação de Oliveira, o cuiabano precisa rever os hábitos de consumo de água, ainda mais em um momento em que, segundo ele, a concessionária contempla mais da metade da cidade com o serviço. Com a CAB, a água chegava de maneira intermitente apenas em 33% dos imóveis da capital.

“Toda vez que nós trabalhamos, que disponibilizamos água para a população, o que vai acontecer é que a população tem que fiscalizar o próprio consumo. Porque o relógio vai passando. Eu recebo a reclamação e vou ver o relógio. Se está passando no relógio o que eu vou fazer? O que está acontecendo é que as pessoas antigamente não tinham água 24 horas - e agora têm. Estão sempre com o reservatório cheio. Eu falo sempre para as pessoas o seguinte: você tem que fiscalizar o seu consumo”, sugeriu Marcelo.

Nos três primeiros meses de atuação da nova empresa, o Procon estadual já registrou 986 registros de reclamações contra a Águas Cuiabá. Desse total, 909 registros são sobre cobrança abusiva ou indevida na fatura da água. Os dados são calculados desde o dia 2 de agosto, quando a concessionária entrou em operação.

Cisterna
Uma das alternativas para otimizar o consumo, segundo Oliveira, seria a construção de cisternas e reservatórias de água da chuva nas residências. A água poderia ser aproveitada para regar jardins, lavar a casa e outras tarefas do tipo.

“Não é uma alternativa para economizar, é até melhor que isso. Se você começa a pegar água da chuva, você vai diminuir um problema lá na frente. Muitas cidades hoje estão guardando água da chuva, porque você acaba ajudando a própria prefeitura a diminuir os alagamentos. E você tem uma água guardada, uma água limpa. O Nordeste inteiro faz isso.”, comentou.

Investimentos

Marcelo foi o responsável pela intervenção na concessionária CAB, que resultou na dissolução da empresa e na criação da Águas Cuiabá, para a qual foi indicado como diretor. Na época, a intervenção da prefeitura rendeu lucro para a concessionária, mas o prefeito Mauro Mendes preferiu continuar mantendo o serviço terceirizado, sob a justificativa de que uma empresa privada conseguiria fazer investimentos mais vultuosos do que o poder público.

A Águas Cuiabá firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e a prefeitura de Cuiabá, em que precisa cumprir uma série de exigências para seguir operando. A empresa precisa, principalmente, investir no tratamento da água e do esgoto e na universalização do acesso à água.

A ideia é que até 2019, após cumprir o prazo de 18 meses do TAC,  a empresa passe a coletar e tratar 58% do esgoto da cidade. Atualmente, apenas 33% dos resíduos líquidos de Cuiabá são tratados.

01 Comentário(s)

Mário - 05.12.2017

O povo vai reclamar mesmo quando a taxa de esgoto estiver universalizada. O percentual de 90% sobre o consumo de água é um absurdo. Na época da seca o meu consumo aumenta em razão de utilização de água para uso em piscina e irrigação de jardim. O retorno desse consumo extra não vai para o esgoto. Vai para o lençol freático. Qual a prestação de serviço da concessionária. O correto seria a medição do esgoto lançado a ser tratado, para que a cobrança seja efetivamente justa. Na verdade, serviços concedidos deveriam todos ser revisados no Brasil, em razão do que se viu no transporte coletivo do RJ. Sabe-se lá o custo que está embutido no que pagamos.