07 de dezembro de 2017 - 08:18

Comunicadores indígenas discutem etnomídia na UFMT

O evento é gratuito e conta com mostra de vídeos e bate-papo com representante da primeira rádio web feita por indígenas no país

Maria Clara Cabral

, da Redação

Uma mostra de vídeos e reportagens reúne produções indígenas brasileiras na próxima quinta-feira (07), a partir das 19h, no Museu Rondon da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). “Etnomídia – indígenas em ação” é um evento que propõe a reflexão sobre a importância do protagonismo dos povos nas mídias, a partir das exibições e do bate-papo com indígenas especialistas na área, representantes do coletivo Povos em Pauta e da primeira rádio indígena do país, a Rádio Yandê.

“É um ensaio para começar a se pensar o que é a etnomídia, porque ela não envolve somente a produção indígena, mas toda a produção étnica no país”, afirma Naine Terena, uma das organizadoras do evento. Segundo ela, mesmo ainda desconhecida, a produção indígena na área da comunicação já data os anos 60 e 70 e só vem crescendo a partir das novas tecnologias, como uma ferramenta de empoderamento.

Arquivo Pessoal

naine terena

Naine Terena é uma das organizadoras do evento

Entre as produções que serão exibidas na mostra estão o vídeo "Retomar Para Existir", dirigido por Olinda Muniz, do povo Pataxó Hãhãhãe, e o "Índios no Poder", do diretor brasiliense Rodrigo Siqueira Arajeju. Ambas narram trajetórias de personalidades como Nailton Pataxó, que atuou na reconquista de terras na Bahia, Mário Juruna, o único deputado indígena eleito no Brasil, e Ailton Krenak que, assim como Juruna, utilizou a comunicação para divulgar suas pautas.

Além dos documentários, também será exibida uma série de reportagens jornalísticas da equipe Povos em Pauta. Hoje um programa de entrevistas no Youtube, o projeto é resultado da junção de diferentes povos e regiões do Brasil, durante a Conferência Nacional de Políticas Indigenistas, em 2015, realizada em Brasília. Para os organizadores, a iniciativa demonstra a potência que a produção colaborativa entre os indígenas ganhou nos últimos anos no país.

Reprodução

Olinda Yawar Muniz Wanderley

Olinda Yawar Muniz Wanderley, diretora do documentário Retomar Para Existir

Após as projeções, uma mesa de debate será composta pela âncora dos Povos em Pauta, Helena Corezomaé, do povo mato-grossense Umutina e também mestranda em antropologia, o diretor Rodrigo Siqueira Arajej e a jornalista Renata Machado, da Rádio Yandê, que participa da atividade via vídeo conferência.

A Yandê é a primeira rádio web brasileira realizadas por indígenas e a primeira empresa de comunicação voltada para a etnomídia. “É ela quem vai falar um pouco mais de como o crescimento dessas produções começou, sobre a produção indígena dentro dessa etnomídia e como ela se vê nessa produção”, afirma Naine Terena.

 

 

Divulgação

Rádio Yandê

Rádio Yandê é a primeira empresa de etnomídia país

O evento é uma parceria da Oráculo Comunicação com a Pró Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (PROCEV) da UFMT, o Cineclube Coxiponés e o Museu Rondon.